poemas do mês || outubro 2008

>> abril 2009 >> março 2009
>> fevereiro 2009 >>
janeiro 2009
>> dezembro 2008 >> novembro2008
>> setembro2008

title: eu não quero que tu venhas

style: poema tipo marchinha carnavalesca
date: escrito no mar do Arpoador com DJ Zé Otávio | 21.10.2008 | 13h40min


eu não quero que tu venhas
mas, se vieres...
vem e vai com deus!

não peque no pé
não me encha nem me irrite
se lembrar do nosso amor
lembre que ele não existe
se vier de colombina
não provoque da minha dor
não sou teu arlequim
nem quero ser teu pierrô

title: briga entre amigos

style: poema reflexão
date: escrito no avião | 15.10.2008 | 15h10min


qual é, cara?
o que você quer?
ser perdoado?
ou se sentir perdoado?
quer uma hóstia?
ou prefere um extasis?
escolhe logo,

não se culpe por ser culpado

há pessoas que vivem brigando com os amigos
como se fosse possível mantê-los
initerruptamente exercitando uma desculpa
que muito além das penitências
não examina de quem é a culpa
nem revida a agressão

entre amigos que brigam
tudo depende da decisão
de quem aceita a discussão
posto que as verdadeiras amizades
permitem que o sim aceite o não
e o perdo

title: em paz com as guerras

style: poema reportagem
date: escrito em Itatiba - SP | 14.10.2008 | 23h50min


a guerra é prá todo mundo
mas só é de verdade
quando não se escolhe o inimigo

title: a beleza informa

style: poema durante uma discussão
date: escrito no Baixo Gávea | 11.10.2008 | 22h41min


a beleza comunica coisas
que não se precisa entender

tenha-a por perto
ao alcance do olhar
e veja com seus próprios olhos
tudo que ela for capaz
de te informar

title: meu 11 de setembro

style: poema durante uma discussão
date: escrito no Diagonal Bar | 08.10.2008 | 03h01min


o que será que eu possa chamar
de meu 11 de setembro?
algo que mesmo vendo
não compreendo
algo que me surpreende
que comigo não se entende
enquanto não a identifico
uma novidade velha
que não antecipou sua visita
e quando tento descrevê-la
me enrolo e me complico

é desejo
que independe dos meus interesses
tão interessante
quanto aquilo de que dependo
precedente aberto
ao que não entendo
legítimo como um duplo suicídio
no qual
matando o que em mim morre
morro sem matar alguém
que de mim se ausenta

meu 11 de setembro não vê aviões
nenhum prédio foi derrubado
nem todo mundo morreu ao mesmo tempo
nenhum bombeiro foi soterrado
e os autores do atentado
todos numa mesma sala sentados
não se sentiram culpados

foi em 11 de setembro de 1969
que a junta militar da ditadura brasileira
editou o AI-5

title: me acuda mãe

style: poemusic: marchinha carnavalesca
date: escrito no Studio Hanói | 07.10.2008 | 01h21min


me acuda mãe, me acuda ... me acuda mãe
a milícia tá querendo me pegar
o traficante não me vende mais fiado
e o bicheiro não me deixa no seu bicho jogar

tem um agiota me cobrando uma nota
que eu juro que com juros
fiquei duro, mas paguei
tô na vadiagem mas não tenho coragem
de meter a mão num ferro
e virar fora-da-lei

desempregado
ontem, eu fui despejado
comigo dá tudo errado
perdi tudo que ganhei
já nem melembro com quem fui casado
eu fui abandonado
minha mulher virou gay

me acuda, mãe!

title: o poema & a poesia

style: poema de guardanapo
date: escrito no Bar Veloso | 03.10.2008 | 23h31min


diante daqueles olhos
morenos como tâmaras
procurei palavras bacanas
que merecessem o verso
do poema que diria
apaixonadamente de quatro
pela beleza que me ouvia
e nada entendia

pudera: o poema podia ser meu
mas ela era a poesia
e o dia em que a poesia entender
o mundo que lhe cabe
ou esse mundo acabou
ou o que seja a poesia
a ele superou

todos os poemas publicados são inéditos e ainda estão em construção >> abril 2009 >> março 2009
>> fevereiro 2009 >>
janeiro 2009
>> dezembro 2008 >> novembro2008
>> setembro2008