poemas
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title:
humanizai os terreiros de xangô | style:
poema tipo marchinha carnavalesca date: escrito no evento Ratos di
Versos - Lapa | 27.11.2008 | 15h10min |
humanizai
os terreiros de xangô humanizai os terreiros de xangô para haver
justiça toda mulher será bonita iansã e yemanjah estão
chamando as iaôs
bvai ter que ter oxum e banho de cachoeira e
a cabocla jurema virá vestida de maiô india santa brasileira quem
tem medo de pedreira não se meta com xangô
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title:
ameaça de bêbado | style:
escrito durante a gravação do audiobook Baú do Raul date:
studio - Barra - Rio | 18.11.2008 | 01h10min |
vou
cometer um êrro só porque te adoro
ou você reage ou
eu bebo a festa inteira
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title:
raul do baú | style:
escrito durante a gravação do audiobook Baú do Raul date:
studio - Barra - Rio | 18.11.2008 | 01h10min |
Raul
pode ser um dos nomes do sol se lido no espelho espelhar o dia na noite e
sem êrro se deixar ser lido ...luar
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title:
todo ego é cego | style:
escrito durante a gravação do audiobook Baú do Raul date:
studio - Barra - Rio | 18.11.2008 | 01h10min |
aquele
rapaz é demais olha tanto para si mesmo que acabou ficando cego fala
tanto de si mesmo que não escuta nada mais pensa tanto em si mesmo que
já não sabe o que faz
sabendo tão pouco sobre si mesmo
seu ego ficou cego e só reconhece como pronome a primeira pessoa
do singular com ele não tem nós, não tem tu nem você e
eles não existem mais dando-se ao luxo de conjugar verbos como sonhar,
desejar e amar como se fossem propriedades que ele não sabe dividir
sem pedir mais para si do que de si se livrar
só falta sentir
ciúme e inveja de si mesmo vai ficar tão sozinho que nem
consigo mesmo viverá em paz
tenho repulsa e pena daquele rapaz que
tem uma cabeça a menos e nela, um parafuso a mais
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title:
quando os piores melhoram | style:
poema longo para fala teatral date: em casa | 17.11.2008 | 03h15min |
como
será que ficam as coisas quando elas melhoram?
há pessoas
que preferem uma liberdade sem limites disponível apenas quando as coisas
estão boas e não precisam melhorar
há outras que
se colocam a favor das oportunidades e se acomodam à espera de que outros
melhorem as coisas nas quais se agarram associando-se às mudanças como
merecedores da melhora que elas trazem sem que precisem melhorar a si mesmos nem
refletirem sobre o que fazem
quando a melhora necessita superar desafios até
os medrosos são melhores do que os inseguros quando exige talento até
os rebeldes se irritam com os indisciplinados quando prescinde de humanidade até
os miseráveis são preferíveis aos covardes
não
há egoísmo que supere a esperança malsã que os
zen-bonzinhos depositam no desempenho dos outros para melhorarem as coisas que
eles querem que lhes pertençam como se fossem um prêmio a ser
dividido entre um pretenso grupo de iguais em nome de uma lealdade híbrida ativa
entre aqueles que só dividem o pão enquanto lhes for servido
o vinho
árduo é o caminho para que as coisas melhorem e
ao longo dele podem aparecer atalhos feitos sob medida para oportunistas de
plantão cuja traição só é previsível nos
que oferecem seus limites como se fossem ressentimentos que precisam ser
atendidos como pecados ávidos por um perdão
mas as coisas
não ficam melhores se os preguiçosos não superarem o
cansaço a que se acostumaram nem se os perdedores não tentarem jogar
outra vez o jogo que perderam
os inúteis não percebem que
as coisas podem melhorar e nada melhora se os idiotas dificultarem as melhorias com
os puxa-sacos lhes auxiliando nesta obscura tarefa dizendo que tudo que melhora
não presta enquanto os parasitas escolhem as árvores prometendo
melhorar a floresta
os espertinhos não melhoram nada enquanto
abusam do humor alheio rindo até do que perde a graça fazendo
piada com preconceitos de sexo, de credo, de cor ou de raça
a
auto-estima é um espelho inexato que pode refletir um rosto risonho
aos medíocres além de oferecer ares de soberba aos invejosos razões
pessoais a ego-trip dos ingratos e justificativas para a ira dos criminosos
as coisas não melhoram por si mesmas nem para quem não
percebe que o pior pode estar começando a passar num momento difícil
da vida que à morte há de lhe levar
nada é pior
do que contar com um amigo limitado às suas próprias fantasias e
com um terceiro olho instalado no umbigo olhando com prazer para suas manias
quando
se está associado a quem sofre calado sob a pressão de uma humilhante
agonia tanto a verdade quanto a hipocrisia se nivelam e o cinismo se delicia
criando dúvidas vazias para quem não ama nem tem uma filosofia que
lhes sirva de guia numa batalha perdida
mas... como será que as
coisas ficam quando pioram? isto é a dúvida que resta para se
dar o primeiro passo vencer o descaso, a apatia e o fracasso e sem precisar
mudar as coisas de lugar mudar a relação delas com sua vida
tem
gente que fica famosa realizando uma missão suicida mas as coisas só
são melhores para quem as melhoram e através delas encontram
uma saída para todos aqueles que, juntos jogaram cada minuto da partida na
qual a vitória é só uma das possibilidades permitidas
nem
sempre deus está com quem exibe troféus mesmo que este deus não
seja lá muito bom em milagres o que de melhor pode fazer por alguém
que se recupera é dar-lhe razões para diminuir o prazo de espera fortalecer
sua auto-estima embotada e criar impressões que a mantenha vendo luz
nas trevas
uma melhora possível é não falar com
os que estão à sua volta sobre o que piorou no seu dia a dia lastimar-se
é prolongar a dor na ferida aferrolhando por dentro a porta de saída
em
todos os castelos de cartas absolutamente nada melhora se for você
mesmo quem piora sua única e insubstituível vida...
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title:
assuntos femininos | style:
poema escrito no evento de Mano Melo date: Espaço Telezoom
- Leblon | 14.11.2008 | 21h00min |
eu
não invejo o orgasmo múltiplo feminino se fosse para invocar
um pecado capital para onde e quando tal cena se dá escolheria a
gula, misturada com a luxúria... e, dependendo da sacanagem, quem
sabe até mesmo a... ira!
o que invejo nas mulheres é o
sorriso que elas sabem dar neles há uma infância tão viva que
sou obrigado a assumir que foi deus quem as criou
se da minha costela
ou não tal foi a vertigem da criação que esse detalhe
mínimo que mais do que um beijo aflora-lhes à boca não
só fez a diferença quanto determinou todas as outras
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title:
aos dois anos de idade | style:
poema longo para ação teatral date: olhando a lua cheia
| 13.11.2008 | 22h45min |
aos
dois anos de idade um braço forte e tatuado a retirou viva de
baixo de um entulho de palha e barro ambos lavados pelas monções
vietnamitas numa aldeia simples e perdida do paradisíaco delta do
Mekong
por toda parte o cheiro da pólvora usada era ácido misturado
ao desfolhante laranja que, na época, era o máximo
a destruição
era uma tática a morte, uma derivada elástica a guerra, uma
aberração transnacional num teatro de operações
secretas crescendo em escala mundial
aos dois anos de idade ela
fez seu primeiro vôo de helicóptero e começou a trocar
sua dieta de arroz e soja e outras iguarias típicas do sul do Camboja por
sucrilhos dourados donuts caramelados e salchichas recheando hot-dogs loucas
para serem devoradas na escola adoçadas pelos xaropes da pepsi e da
coca cola
aos dois anos de idade começou a esquecer seu
idioma materno tão logo viu a mãe sucumbir ao inferno antes
de ser induzida ao coma e enxarcada de lama anônima e infantilmente
viva sair na chuva ao colo de um paraquedista que a levou à uma central
de adoção humanitária montada em pleno campo de batalha
ainda
tinha dois anos de idade quando foi de avião conhecer uma nova família adotar
uma nova religião receber algo chamado de "boa educação" deixando
de ser orfã para se tornar filha num país além da sua
imaginação
quem sabe lá... viria a participar
da torcida de um time de basquete ser garota-propaganda de chiclete atriz
de filme de hollywood ou vestir uniforme militar e se tornar guardiã
de uma prisão
teria dificuldade em soprar velas a data de
seu aniversário perdeu-se sorteada nos meses do calendário mas...
se tivesse mesmo dois anos de idade poderia ser Sagitário com
ascendente em áries e lua em aquário
quarenta anos
depois... as bazucas precisavam de mísseis cirúrgicos guiados
a laser de máxima precisão capacitando sua força de ataque com
máximo poder de destruição
quarenta anos depois... ela
estava formada em biofísica comandava pesquisas científicas trabalhava
em mísseis hiper-báricos num laboratório quase secreto digno
de ser segredo de estado a dois andares, num sub-solo guardado
aos
quarenta e dois anos de idade seus dardos para zarabatanas terríveis testaram
a dinâmica de sua eficiência letal nas cavernas do Vale do Dragão tirando
a vida de pelo menos dois afegãos que estariam pondo em risco a
liberdade de sua nova nação
aos quarenta e dois anos de
idade já acumulara memória suficiente para esquecer que,
um dia teve dois anos de idade
ela sabia que não tinha
idade mas teria uma segunda vida quando aquele garoto de Miami, Arizona a
retirou dos escombros do que era sua casa debaixo daquela chuva providencial que
apagou inevitáveis incêndios depois do bombardeio com napalm
talvez,
realmente tivesse dois anos de idade talvez, tivesse demorado duas
semanas até que o helicóptero de campanha providenciasse
seu translado do campo para a cidade talvez, se passaram dois meses para
que fosse evacuada às pressas de Saigon cruzasse os oceanos num boeing e
fosse parar em Last Chance, Colorado
certeza mesmo, era que gastou dois
anos aperfeiçoando a bala de seu canhão de efeito retardado um
torpedo que atrasava em dois segundos sua total destruição sugando
todo o oxigênio à sua volta multiplicando como um coice o avatar
de sua explosão
mas ela tinha dois anos de idade quando
o 342º regimento entrou na sua vila mudando para sempre o destino em sua
vida crendo serem casamatas, as casas demolidas pelos ases dos F-14 Tomcats baseados
num porta-aviões boiando no golfo tailandês aguardando novas
missões
desfalecida sob o lamaçal não deve ter
dado atenção ao rifle que mirou sua testa antes que lhe fosse
estendida ...aquela mão
quem terá sido aquele anjo armado? teria
falecido em combate? poderia ser seu um daqueles nomes gravado no mármore
negro do memorial? certamente teve um Zippo pode ter fumado Marlboro... gostaria
de whisky de milho? trocaria o mar por uma piscina cheia de cloro?
decerto,
lembraria do dia em que, em plena batalha, ao inimigo estendeu a mão e
salvou-lhe a vida...
só ele, aquele soldado desconhecido poderia
confirmar se, naquele dia, em que lhe estendeu a mão ela tinha dois
anos de idade ou não...
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title:
ouro | style:
poema canção date: escrito na casa de Pedro Poeta -
música composta por Glad Azevedo | 11.11.2008 | 23h50min |
chão terra
que o amor tira bem debaixo dos teus pés e enquanto o barco vira o
porão se faz convés
cai um corpo que cai numa mesa
de um cassino onde aposto o meu destino numa mão de ás a dez
de
ouros era tudo de ouro e era pouco o tesouro prá tudo que você
é
vocé é de ... ouro tudo tudo de ouro no sorriso
e no choro a gente é o que é...
chão tapete
que o amor põe mar onde nada a ilusão quando nada mais da
pé
vaivai e vem na maré quando a terra é mais bonita todo
chão é um deserto que o sol sabe o que quer
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title:
da Ordem Pública | style:
poema escrito em evento com os Voluntários da Pátria date:
CIEP Ulisses Guimarães | 11.11.2008 | 16h05min |
ou
a liberdade é um privilégio do estado ou
a violência conquista esse lugar e o cidadão comum se acovarda a
democracia se acaba e a justiça não valerá mais nada
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title:
Vida & Morte | style:
poema escrito em evento com os Voluntários da Pátria date:
Colégio São Gonçalo | 10.11.2008 | 15h40min |
para
cada túmulo antes houve um berço
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title:
Pelé e Mané | style:
poema escrito em guardanapo date: Bar Veloso | 04.11.2008 | 01h10min |
toda
vez que penso que não sou Pelé acho que posso ser Garrincha e
me descubro mané sem saber se essa diferença faz a diferença como
diferença faz não saber se enquanto mané faz diferença ter
ou não nascido em Pau Grande como Pelé
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title:
bonecas | style:
poema de improviso date: dito no bar Veloso | 03.11.2008 | 02h31min |
garotas
brincam com bonecas sozinhas em seus quartos penteiam-nas, vestem-nas falam
com elas e as escutam
foram elas que inventaram que garotos não
devem brincar com bonecas para não se afeminarem
os bonecos
dos meninos são sempre guerreiros usam armas de brinquedo e se
matam à vontade
mais
tarde, elas... que por anos a fio treinaram afetividade com pessoas de
plástico vão por em prática seus segredos pituitários numa
brincadeira perversa em que se fazem de frágeis para fazerem deles seus
bonecos apaixonados ... verdadeiros otários! |
title:
ego | style:
poema para tela de celular date: escrito no Studio Hanói |
02.11.2008 | 20h44min |
quando
você aprender a pensar nos outros você pode perder tudo mas
de você mesmo nunca estará perdido
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title:
oásis | style:
poema para tela de celular date: escrito no Studio Hanói |
02.11.2008 | 20h09min |
meu seu e
do camelo o deserto é
só que no deserto eu e você temos
que aprender a beber água com ele
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title:
amantes & amores | style:
poema para tela de celular date: escrito no Studio Hanói |
02.11.2008 | 19h10min |
todos
os amantes que podemos ter pela vida serão
sempre diferentes alguns serão os primeiros outros, os últimos
todos
os amores que teremos pela vida serão sempre novos mas, alguns
deles serão únicos ainda que existam outros que possam ser
até melhores
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