poemas
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title:
tua mulher é gay | style:
poemusic: samba canção date: escrito no Bar Diagonal
|30.09.2008 | 03h43min |
amigo,
eu não desejei tua mulher não trairia a mesma confiança
que lhe dei essa fofoca é porque ela esconde um segredo amigo velho:
essa tua mulher é gay!
ela tem outra e você tem que assumir tudo
que soma sempre dá prá dividir a tua honra em amar essa mulher é
aceitá-la do jeito que ela é
amigo,
eu não fiquei com tua mulher não sou capaz de tanta desconsideração tô
pagando o pato porque sou a bola da vez amigo velho: a bomba estorou na minha
mão
só dei carona para ela e uma prima baiana rica , hospedada
num hotel um cinco estrelas na praia de copacabana com direito à
café na cama, champagne no balde ...e lua-de mel vai
me perdoar mas o que é do homem: o bicho come a mulher de um amigo
meu sabe que sexo tem fome não precisa ser viúva nem esconder
o sobrenome mulher de amigo meu para mim nunca foi homem |
title:
garotas | style:
poema de guardanapo date: escrito no Bar Veloso |27.09.2008 | 02h11min |
existem
as irresistíveis geralmente elas vão embora antes de desistirem
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title:
baralho 1051 | style:
poema de guardanapo date: escrito Crisciúma (SC) |24.09.2008
| 02h11min |
bata
e pegue o morto tire um ás e feche a canastra daqui a pouco vai acabar
o jogo e o baralho vai pedir de volta suas cartas
mude para um pocker aumente
o ponto e aposte tudo daqui a pouco o blefe vai te dar de troco a ilusão
de um tesouro na carta da tua manga está a mulher que você
ama fazendo da tua mão vazia um cacife de ás a dez todo
de ouro
sorte no amor não
depende de resultado de jogo quem ganha num, perde no outro mas quem nada
aposta não sabe nem o que está em jogo e nessa situação perder
ou ganhar é como escolher entre a água e o fogo sem saber
se onde se está vivo pode-se estar morto
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title:
para Nora Bernardes | style:
poesia pessoal date: escrito em casa (RJ) | 20.09.2008 | 22h 24min |
daqui
a pouco ela volta cremada: em pó... na urna em que está tranqüila exposta
aos que foram se despedir ainda se vê aquele sorriso no seu rosto lembrando
a cada um que nela se espelha que a vida não resume tudo que existe como
ela sempre foi: seu velório não é triste a alegria que
nela havia ainda insiste minha amiga se foi aquela dor que a levou em
mim doeu em silêncio da minha turma de outrora agora, só falta
eu um a um: foram-se todos de certa forma: bem jovens cada um teve sua
vez deixando prá trás tudo que fez para quem de nada se esqueceu
olho
o mundo como alguém que perdeu um trem na estação o
outono está tão cinza que tenho saudade do verão algo
está vazio no meu olhar falta um pedaço no meu coração
estou
ficando tão sozinho que em segredo já cultivo medo minha sorte
anda me pegando de surpresa tanto que já não sei que amigos são
os que posso chamar de meus minha solidão está crescendo a cada
falta me deixando tão só na multidão à minha volta que,
daqui a pouco, nem terei mais a quem dizer ...adeus!
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title:
antes de dizer adeus | style:
nanopoema date: escrito no Bar Belmonte (RJ) | 18.09.2008 | 23h 49min
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para
usar uma bomba pelo menos conheça o pavio
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title:
o maior medo do homem | style:
poesia falada date: escrito no Bar Diagonal (RJ) | 17.09.2008 | 20h
33min |
amedronta-me
a única força contra a qual nem a mais eficaz prece tem o
poder de aplacar sua desgraça traça que corrói da moral
às virtudes perigo anti-ético e sobre-humano contra o qual
não há nada que detenha sua intolerante ameaça nem
comando que lhe seja dono
tenho medo do mais terrível dos demônios contra
o qual não há deus que se oponha perigo que pinta de negro o
destino e torna pesadelo tudo aquilo com que se sonha
sinto-me apavorável,
frágil e indefeso contra essa praga que se espalha por toda parte essa
peste desembestada que traz consigo os milagres de um deus que já foi
chamado de marte cujo sinistro condiciona tudo que existe a ser como o final
de um filme triste e faz com que até o nunca seja tarde
borrar-me-ei
nas calças se vítima for desse insolente assassino que põe
fim a toda felicidade a instaurar o caos em nome da dor com a facilidade
do que se vai e a incerteza do que foi e nunca mais voltou
tremo
diante dessa maldade capaz de tomar a vida do meu próprio corpo sem
me dar chance de defesa ou de ataque humilhando-me soberba enquanto morto
esse
ser que até o inferno rejeita esse vilão que supera tudo que
há de mais torpe calando verbos, adjetivos e pronomes temo essa
treva de onde a luz migrou para onde tudo está sempre mais distante envergonho-me
diante desse ser que me ordena: me dê a vida antes que eu de ti a tome esse
ser sem forma que faz com que eu morra de medo da maldição que
sequer cabe no seu simplíssimo nome
assumo sem outra saída que
esse vampiro anêmico que a tudo infecta e consome provoca-me um pavor
inolvidável com seu humor feito de um horror imensurável que
o homem desestruturado impôs ao homem cada vez que um come e o outro
não come
sinto-me um covarde de quem a coragem de repente: se
ausenta e some cada vez que respeito e aceito a inevitável derrota
diante desse monstro que de mim zomba e se quiser: me corrompe
que deus
me livre da mais daninha das heras cuja quimera mata do inseto ao rinoceronte
eu,
que não tenho medo que a morte me encontre e aos gritos me chame por
meu próprio nome tenho medo que a vida me traia e que meu destino
me entregue a esse verdugo inclemente e infame
tenho medo desta fera tenho
muito medo desta sombra que à luz apaga e sem ela some
perdoem-me
por tanta fraqueza e insegurança mas tenho ue confessar que sinto muito
medo ...da fome!
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title:
adega | style:
poesia de estalo date: escrito no Bar Bofetada (RJ) | 13.09.2008
| 11h43min |
sou
do time que faz da uva: vinho
nada contra o time que acha que a uva:
passa
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title:
adão e eva | style:
nanopoema date: escrito no Bar Diagonal (RJ) | 11.09.2008 | 4h02min |
seja
na terra ou no éden o pecado original é não ser feliz
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title:
saudade | style:
poesia pós-moderna date: escrito em casa | 11.09.2008 | 03h44min |
saudade
é perfume raro cheiro de gente para quem tem faro sentimento que
não é descartável carta que sente falta do baralho
saudade
não dá para negociar ninguém leva vantagem em esquecer
com quem deve sonhar mas será que alguém tem coragem para
sonhar com quem ama ...e acordar?
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title:
para lá de maio de 68 | style:
poesia falada date: recitado na PUC-Curitiba | 10.09.2008 | 20h55min |
pixaram
no muro as palavras de ordem as barricadas nas ruas impuseram a desordem a
baderna era assim: motim e estopim
lia-se à toda parte: é
proibido proibir! até que tudo fosse apagado e tudo que era proibido
fosse proibido de existir
hoje, é proibido proibir que alguém
roube quando está no poder é proibido proibir que um candidato
minta ao eleitorado é proibido proibir que alguém cometa um pecado é
proibido proibir que o certo acerte quando está errado só quem
é vivo grita viva! comemorando dia de finados
hoje, o
muro caiu com todos aqueles recados caiu até para quem pulou por cima para
quem ficou emparedado para quem vive em cima do muro toda hora trocando
de lado
hoje, não tem mais ditadura: nem militar nem do proletariado 2008
ainda nem acabou e o muro já está todo grafitado cheio de nomes
e palavras que ninguém consegue ler e que alguém escreve como
se estivesse despreocupado recodificando tudo que foi descodificado complicando
o que já foi complicado
quer saber? ... acabou-se o mistério ninguém
é sério nem leva nada a sério a liberdade é tanta
que não tem mais critério quem não tem onde cair morto baba
o ôvo dos donos do cemitério
está tudo pelo avêsso
virado... é tanta notícia ruim que ninguém mais quer
ser informado só otário se mantem honesto em terra de safado com
o apocalipse eminente mandando no noticiário prevendo desgraças
para tudo que era engraçado só tem futuro quem não olha
para o passado é daqui prá frente, sem intinerário e sem
sentido mesmo que se bata com a cara na parede não há mais
muro que não possa ser demolido
o que estava escrito no muro foi
com ele derrubado sexo ficou tão livre que gozar não é
mais a solução o elo foi perdido: se liga na missão a
esquerda mudou de lado e o tráfego mudou de mão não dá
mais para escolher entre ser ou não ser nem entre viver ou morrer ou
pagar ou dever tente ser feliz nem que para isso tenha que sofrer hoje,
o papo é reto e pode até ser furado está tudo corrompido
e ninguém é culpado
ninguém mais se comove: 68 acabou
em 69 aprove ou não aprove: make war, don't make love o pavio
está aceso: joga essa garrafa longe senão vai ser na sua mão
que explodirá o molotov
se livre da hipocrisia e acabe com tanta
agonia por pura ironia, na maior alegria, esqueça as utopias como
se fosse a última entre as últimas ousadias lendo o último
recado que no muro foi grafitado se liga, malandro: esse papo está sendo
fiado é conselho que se dá sem que seu preço seja pago te
alinha pondo na cara um sorriso forçado se dê por satisfeito e
sinta-se por deus agraciado de tudo que se escreveu no muro que foi derrubado só
sobrou uma mensagem de esperança
sorria ... você está
sendo filmado!
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title:
gueto prá todo mundo | style:
poesia para música date: feita com Arnaldo Brandão|
08.09.2008 | 19h38min |
quem
quiser guarde segrêdo se se perder ao se encontrar com quem vende
amor e ódio prá quem não tem como pagar
tem preço
prá todo mundo seja um fudido ou um milionário se deus é
o caminho há quem cobre o pedágio
procure o gueto da fortuna ou
o da miséria total perca o medo da luxúria no fundo, tudo
é sempre igual
vai sobrar prá todo mundo ninguém
pode recusar sai de cima desse muro antes que queiram te derrubar
olha
o gueto do branco do lado do gueto preto até para todas as cores inventaram
um novo gueto
tem gueto que é como o paraíso tem gueto
que ninguém sabe onde está tem um que ninguém quer de
lá sair tem outro que ninguém quer voltar lá
tem
gueto prá gente fina gueto prá maluco e prá invocado tem
gueto prá todo mundo ... o inferno foi leiloado
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title:
mudar de vida | style:
nanopoema date: escrito no CEP 20MIL (RJ) | 02.09.2008 |
troque
sua agenda por um oráculo
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